A importância da amamentação na Fonoaudiologia

A amamentação é tema de diversos materiais produzidos pelos profissionais do Sesc Paraíba, em alusão ao Agosto Dourado. A fonoaudióloga da instituição, Ana Paula Ribeiro, produziu um material completo, que explica a relação direta entre amamentação e fonoaudiologia. Confira!

No mês de agosto é realizada a Campanha do Agosto Dourado, a qual representa a importância da amamentação exclusiva até o 6º mês de vida da criança. O aleitamento materno, além de seus benefícios nutritivos, imunológicos e emocionais, também tem efeitos na fonoaudiologia, pois está muito ligado ao sistema estomatognático.

O sistema estomatognático é composto por ossos, músculos, articulações, dentes, lábios, língua, bochechas, glândulas, artérias, veias e nervos, que realizam funções de sucção, mastigação, deglutição, fonoarticulação e respiração. São estruturas que trabalham conjuntamente para realizar uma determinada função, de maneira que qualquer modificação anatômica ou funcional específica pode desencadear desequilíbrios e vários tipos de alterações.

O seio materno funciona como um aparelho ortodôntico natural. Ao sugar, o bebê posiciona a língua corretamente; as bochechas e a língua movimentam-se harmoniosamente e toda a função neuromuscular da boca desenvolve-se de forma equilibrada.

A região bucal é caracterizada por ser a primeira fonte de prazer e umas das primeiras de comunicação, uma vez que o contato mãe e filho promove as trocas comunicativas e inicia o contato do bebê com o mundo. O ato de sugar é uma forma encontrada pelo bebê de sentir prazer e aconchego.

O ato de amamentar permite o exercício necessário ao desenvolvimento do sistema estomatognático. O movimento de sucção que o bebê realiza fortalece os lábios, a língua e as bochechas; desenvolve a musculatura e os ossos da face, e evita problemas na fala, na alimentação e auxilia a respiração nasal.

Constata-se, portanto, que a amamentação serve de estímulo para todas as estruturas bucais, como lábios, língua, bochechas, ossos e músculos da face. A importância do aleitamento materno para a fonoaudiologia explica-se pelo preparo e aprimoramento da condição neuromuscular das estruturas bucais. A anatomia e função dos órgãos da fala desenvolvem-se quando exercitadas pela amamentação, e aprimora as demais funções como mastigação, deglutição, respiração e fonoarticulação.

O aleitamento materno é mais apropriado para a criança devido ao esforço realizado para a obtenção do alimento e adequação e harmonia das estruturas dos órgãos da fala. Qualquer alteração nessas estruturas orofaciais pode resultar num desequilíbrio generalizado e comprometer as estruturas da fala e do sistema estomatognático, podendo gerar agravos na deglutição, na mastigação, na respiração e na fonoarticulação.

 Existe uma correlação entre a presença de hábitos bucais nocivos e a amamentação insuficiente, que consiste numa das principais causas de más oclusões dentárias. Da mesma forma, a deglutição, a fonação e a respiração podem ser afetadas quando a mamadeira é introduzida nos hábitos do bebê.

As crianças amamentadas tendem a não desenvolver hábitos bucais prejudiciais no decorrer de suas vidas em razão de um forte trabalho muscular realizado para a sucção do leite materno, evitando assim, que busquem outros tipos de sucção como dedo, chupeta ou objetos, a fim de se satisfazerem nutricional e/ou emocionalmente.

O movimento de sucção no seio materno favorece uma atividade muscular correta, ao passo que a mamadeira interfere na realização das funções de mastigação, sucção, deglutição e pode levar a alterações na musculatura orofacial e na postura de repouso dos lábios e da língua, podendo alterar a articulação dos sons da fala.