Quinta, 07 Maio 2020 18:10

Coronavírus: Nutrição e Ansiedade Destaque

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Você sabia que existe relação entre nutrição e ansiedade? Não? Então vamos conversar um pouco sobre esse assunto. A nutricionista do Sesc Paraíba, Karla Albuquerque, reuniu informações super importantes para combater a ansiedade, especialmente neste período de pandemia do COVID-19.

A ansiedade, o estresse e a depressão são transtornos mentais e comportamentais comuns na atualidade. A ansiedade é um sentimento de medo vago e desagradável que se manifesta como um desconforto ou tensão decorrente de uma antecipação de perigo, de algo desconhecido.

Ansiedade e açúcar

Normalmente, em momento de ansiedade, muitos consomem mais alimentos açucarados. Porém, estudos demonstram que o consumo de açúcar pode abastecer ainda mais essa tensão. Isto ocorre porque logo após o consumo do açúcar, da farinha branca ou do refrigerante, por exemplo, a pessoa irá se sentir bem, pois dará ao corpo o mais rápido impulso de serotonina, contudo, de curta duração.

O aumento rápido dos níveis de glicose no sangue, exigem do corpo o aumento da produção de insulina, o que provoca uma queda repentina de glicose. Esta oscilação extrema dos níveis de glicose resulta em sensação de fome rapidamente, além de que irritabilidade ou mal-estar devido à hipoglicemia podem surgir também. Ainda irá surgir a vontade de comer novamente e, se o próximo alimento for algo rico em açúcar, o ciclo será reiniciado. A longo prazo, o ciclo vicioso de consumir açúcar para entorpecer as emoções só vai piorar os sintomas de tristeza, cansaço e mal estar.

Serotonina

Para contribuir para o nosso bem estar, é necessário destacar a importância da serotonina, um neurotransmissor responsável por funções como a modulação da motilidade gastrointestinal, regulação do sono, do apetite, do humor, entre outras. Dessa forma, é evidente a necessidade de estimularmos a síntese de serotonina. E um detalhe importante é que cerca de 90% da serotonina é produzida pelo intestino a partir do triptofano. Ou seja, hábitos alimentares adequados influenciam na sua saúde intestinal, a qual é peça fundamental para o bem estar.

Alimentos ricos em triptofano são ideais para aumentar a serotonina, tais como peixes, aves, aveia, banana, abacaxi, grão de bico, semente de abóbora e girassol, chocolate (não se trata de qualquer tipo de chocolate, o triptofano está presente na semente do cacau e, por esta razão, é importante consumir os com pelo menos 70% de teor de cacau).

Além disso, outros nutrientes estão diretamente envolvidos na biossíntese da serotonina como as vitaminas do complexo B - principalmente B3 (niacina), B6 (piridoxina) e B9 (ácido fólico) - e magnésio.

Onde encontrar estes nutrientes

A Vitamina B3 é encontrada no fígado, em peixes, no amendoim, no gergelim; a Vitamina B6 no espinafre, semente de abóbora, peixes, ovos, banana, aveia, abacate; a Vitamina B9  no espinafre, brócolis, couve, laranja, maça, melão e o Magnésio é encontrado na semente de girassol, semente de abóbora, semente de gergelim e linhaça, castanhas, amêndoas, uva, abacate, banana.

Na maioria dos indivíduos, o maior nível de serotonina no organismo está presente pela manhã, entre 10h e 12h. Por isto, a dica é procurar adicionar ao seu café da manhã alimentos fontes de triptofano. Não podemos esquecer que algumas frutas são ricas em serotonina, como a banana e o abacaxi e, em menor quantidade, o kiwi e a ameixa.

Hábitos saudáveis

Seguir hábitos de vida saudáveis também ajuda a manter os níveis adequados de serotonina, como praticar exercícios físicos regularmente e manter uma microbiota intestinal saudável, o que irá influenciar diretamente na saúde e no bem estar do cérebro. O funcionamento adequado do corpo depende de um conjunto de hábitos saudáveis, que fortalecem o sistema de defesa para o enfrentamento dos combates vivenciados a todo momento pelo corpo humano.

Referências:

MENG, X.; Li, Y.; Li, S.; Zhou, Y.; Gan, R.-Y.; Xu, D.-P.; Li, H.-B. Dietary Sources and Bioactivities of Melatonin. Nutrients, 2017.

FERNANDES, M. A., et al. Prevalência dos transtornos de ansiedade como causa de afastamento de trabalhadores. Revista Brasileira de Enfermagem, 2017.

SILVA, R.R.; LOMEU, F. L. R. O.; YOGI, C. M. Alimentação, Depressão e Ansiedade: entenda a relação. Universidade Federal de Alfenas, 2018.
Ler 865 vezes Última modificação em Segunda, 15 Junho 2020 17:42
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